A desigualdade não é um problema real, logo, não demanda "solução". Da mesma forma que a miséria ou a pobreza. O grande e único problema econômico, de verdade, é como gerar RIQUEZA. Não é acabar com a miséria, com a pobreza ou minimizar as desigualdades. Quem faz do combate à pobreza ou à desigualdade uma premissa econômica, está subvertendo TODA a lógica econômica. A economia simplesmente deixa de ser economia, deixa de ser ciência e passa a ser alguma outra coisa que não vem ao caso (geralmente um discurso político). Como se cria riqueza no mundo? É muito simples: com trabalho. Não existe outro jeito. Mesmo se alguém disser que fulano ficou rico porque roubou de outro, ele certamente deve ter roubado de alguém que trabalhou. Trabalho não é o que Marx entendia, isto é, quase como se fosse uma medida, em síntese, uma medida para os "lucros" (mehrwert), por exemplo, teoria, aliás, mais do que refutada há uns 150 anos, mais ou menos (pela corrente Marginalista, principalmente com Carl Menger, economista austríaco que o Ciro Gomes não sabe sequer falar o nome). Entre o trabalho e o lucro (que pode, de maneira superficial, ser entendido aqui como riqueza), existe uma grande distância, tanto que muitos trabalhos podem não gerar lucro algum, riqueza alguma; por exemplo, é só você pensar no trabalho do sujeito que cava e tampa buracos, é um trabalho absolutamente inócuo, ele passa o dia inteiro ele mesmo cavando e a noite ele mesmo tapando os buracos que cavou (é um ad absurdum, eu sei, mas o exemplo não é totalmente inválido se você pensa no funcionalismo público); e, também por isso, o trabalho não pode ser tomado como base da organização social em si, porque o trabalho em si mesmo não significa nada, mas apenas com relação ao valor que a sociedade atribui a ele. Uma prostituta pode ganhar os tubos de dinheiro e não é difícil achar uma que ganhe muito, às vezes muito mais do que médicos, advogados, juízes, promotores, mas o valor (que não é o valor monetário) que a SOCIEDADE atribui ao trabalho dela é sempre muito baixo, então a classe das prostitutas é sempre uma classe marginal, em todas as sociedades de que eu já ouvi falar, isto é, ninguém entra para a faculdade, passa cincos anos lá estudando para aprender a fazer um boquete. E como que a sociedade se estrutura em torno dessa questão dos valores (que novamente não é monetário)? Através da cultura e da religião. Simples assim.
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