domingo, 28 de agosto de 2016

Ditadura em 64?

Eu me recuso terminantemente a usar a expressão "ditadura militar" para designar o período histórico que vai de 31 de março de 1964 até 13 de dezembro de 1968. Até demito o uso do termo, mas só a partir de 1969. E eu ainda me recuso a chamar o Geisel e o Figueredo de ditadores. Eles foram os caras que promoveram a abertura democrática plena do país, isso ninguém pode negar. Castelo Branco foi ditador, porque assinou o AI-5 que fechou o Congresso, mas ele só assinou no final de 68. Costa e Silva foi ditador, porque foi quem iniciou a fase mais dura do período; também Médici foi ditador, porque deu continuidade à repressão iniciada pelo antecessor, mas Geisel (que dispensou o responsável pela morte na cadeia do Herzog no DOI-CODI, Ednardo D'Ávila Mello e que sofreu uma tentativa de golpe por parte do general Sílvio Frota, sendo o responsável por extinguir o AI-5) e Figueredo não!

Se não fosse por Geisel e Figueredo, não teria havido diretas em 85! Eu até posso achar que Geisel e o Figueredo fizeram um montão besteiras no plano técnico, econômico, administrativo, mas nunca, jamais político! Sem falar que Geisel apoiou o Tancredo em 85, foi um grande patriota, nesse sentido, colocou o Brasil acima dos interesses pessoais que tinha. Por que ninguém tem coragem de dizer isso? O politicamente correto e a espiral do silêncio é promotora de brutal injustiça histórica! 

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Considerações breves sobre o amor

Quando Cristo disse: "amai-vos uns aos outros como eu vos amei", estava querendo dizer para sofrermos por amor como Ele sofreu. Disse ainda: "Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos." Amar é fatalmente agonizar de tanto sofrer! É entregar-se à morte. Podemos dizer que o sofrimento é quase a medida do amor.

Quem ama, sempre cuida, se preocupa, independentemente do outro. Pois bem, cuidar e se preocupar é sofrer! É a mãe que cuida do filho com algum problema e que sofre horrores por amor. É a mulher cujo o marido foi para a guerra e ela fica aqui, sofrendo de tanta preocupação e também saudade, angustiada por não saber se ele volta. É uma relação de proporcionalidade quase exata, me parece. Amor sem sofrimento não é amor! Às vezes vejo mulheres (e também homens, mas mais mulheres) dizerem que vão se separar porque "não felizes". Sempre pergunto com certa ironia: "Você queria ser feliz, é? Não foi o padre quem disse: "Na alegria, na tristeza, na saúde, na doença até que a morte os separe"? Achou que era brincadeira? Que o padre tirava onda?" Aquilo lá não acontece assim há 2000 anos atoa...

Essas coisas não me parecem tão complicadas, tanto que eu realmente não compreendo bem pessoas que tem as mais malucas dúvidas sobre o amor. Uma vez perguntei para um amigo: "Mas você ama ela?" Ele respondeu: "Não sei!" Retruquei de imediato: "Oxente! E quem é que sabe?" "Mas você se preocupa com ela?, você gosta de estar de com ela?, sofre quando não está? Você cuida dela?", perguntei. Ele respondeu que sim para todas as questão. Então qual era a razão da maldita dúvida? Nem ele e muito menos eu sabemos... Quem conhece a si mesmo é sempre mais sábio! A Igreja admite o divórcio, desde que não haja amor. Só não dá é para você chegar lá em Roma dizendo: "Santo Padre, eu achei que amava o pau mole do meu marido, mas agora eu quero o divórcio!" Tem gente que vive exigindo que a Igreja se "adapte ao mundo". No dia que ela fizer isso (e não vai fazer!), eu deixo de ser católico. Adaptar-se às veleidades do mundo é se corromper, é inevitavelmente deixar de existir.

sábado, 6 de agosto de 2016

Padrões de beleza

Para se ter uma ideia do quanto se ater a padrões de beleza é fundamental para a arte no geral, teve um artista italiano chamado Piero Manzoni, discípulo de um outro famoso artista francês chamado Marcel Duchamp, que, na ânsia de demolir com os padrões estéticos que regiam o mundo da arte, ficou riquíssimo nos anos 60 vendendo merda enlatada. Literalmente! Ele cagava numa latinha e vendia, expunha isso nos museus e as pessoas pagavam os olhos da cara para ver, porque era tudo muito "revolucionário", muito "fora de padrões". E de fato era! Ninguém em sã consciência poderia duvidar disso. Esse é só um exemplo do quanto o sentido exato de beleza é fundamental na vida. Sem padrões de beleza, a Pietá e a Capela Sistina não são muito diferentes de uma lata de merda. O funk do "bumbum granada" é conceitual! Todo mundo que chega querendo revolucionar o mundo da arte, destruir os padrões de beleza só contribui para tornar nossas vidas um inferno.

Tudo que pinta de novo, pinta no rabo do povo, como dizia um certo filósofo.

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

A estabilidade do ser

Amo a estabilidade do ser.

"Nasce o Sol, e não dura mais que um dia...
(...)

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se formosa a Luz é, por que não dura?"

Eu odeio nas mulheres (e não só nas mulheres, para falar a verdade, mas acontece que elas são sempre o principal foco da minha atenção) quando mudam de cabelo o tempo todo ou o jeito de se vestirem por causa da moda ou outra idiotice do gênero (coisa que não está propriamente em falta no mundo). O nosso corpo é a primeira impressão de quem somos, da nossa personalidade, é o templo do Espírito, como se diz na bíblia. Amar já é difícil e eu fico ainda me questionando como é possível amar uma pessoa que nem ela mesma sabe quem é, que nem ela mesma se interessa por saber quem é... Eu vou amar quem, afinal? Cada hora uma versão diferente? Não tem amor que chegue! Eu não sou contrário à mudança, é claro! (e eu detesto ter que explicar o óbvio também), mas quando a mudança não se justifica, em sua finalidade e essência, ela se tornar uma incongruência ontológica, passa a integrar na forma vazia da mudança pura o conjunto da personalidade, que também se esvazia, se futiliza. A parte que eu mais gosto de Alice no País das Maravilhas é quando a Lagarta pergunta: "Quem é você?", e a pequena Alice responde: "Já nem sei, senhor. Mudei tantas vezes desde hoje de manhã." É um drama real e Alice é de uma sabedoria socrática!

"Metamorfoses ambulantes" nunca são nem lagarta nem borboleta, já que falamos de lagartas... Na verdade, não são nada. Ou, na melhor das hipóteses, são um casulo de expectativas.