domingo, 23 de outubro de 2016

Felicidade e personalidade

As nossas atitudes formam um todo coerente e lógico. Pela manhã, eu não posso dar um tapa no porteiro ao invés de dizer bom dia. E não porque ele me fosse revidar a agressão, mas porque a minha atitude repentina e injustificada destoaria de todo o conjunto das minhas outras atitudes, dos meus pensamentos, do meu discurso e, enfim, da minha personalidade, de quem eu sou! A felicidade é uma atitude, assim como qualquer outra. Eu escolho se, pela manhã, quero ser feliz ou não. Da mesma forma que escolho a camisa que vou vestir. A diferença é que a minha escolha por ser feliz segue a critérios mais rigorosos e eu não a pego no cabide. Também o problema maior não é simplesmente escolher ser feliz, mas, como todas as outras atitudes, tornar a escolha por ser feliz parte integrante do todo coerente e lógico de nossas atitudes. Porque em caso contrário, a felicidade, por melhor que se disfarce (e alguns disfarçam muito bem!), não será nada muito diferente de um disfarce, uma máscara, como uma atitude que tomamos para não desagradar ninguém, um obséquio. A felicidade fingida é mais comum de todas, é a mesma que leva os grandes humoristas ao suicídio. O sujeito finge tanto ser feliz e sofre tanto por realmente não ser que simplesmente se esquece de si e se mata, estoura os próprios miolos com um sorriso no rosto. E por que é assim? Porque a personalidade deve ser cuidadosamente construída, como se fosse uma obra de arte e com o senso da verdade acima de tudo, que é na realidade o próprio Deus, Deus é a verdade (João 14:6). Eu não acredito na felicidade do tolo. Para mim, só o homem sábio é feliz.

domingo, 16 de outubro de 2016

A felicidade

Ser feliz é uma atitude ante os acontecimento, momentos (chamem como quiser). Ser feliz não tem nada a ver com não sofrer. A felicidade é anterior ao sofrimento, bem como aos prazeres. É possível ser feliz ainda que muito se sofra. Aliás, o sofrimento é inerente à vida, a felicidade não (o homem apenas se destina a ser feliz). Começa-se a sofrer no instante em que se nasce. Começa-se a ser feliz somente no instante em que, como uma atitude, a felicidade se integra num mínimo coerente, tanto com o discurso, como com o pensamento e as outras atitudes, tudo isso inserido num sistemas integrante da própria personalidade. Ser feliz exige sabedoria, exige a experiência da vida. Não acredito na felicidade dos jovens. E no geral, poucos são os que realmente são felizes. A maioria das pessoas apenas confunde felicidade com prazer, por isso, para elas, ser feliz pode ser algo como "desfrutar", uma reação neuroquímica, endorfina e serotonina liberada na corrente sanguínea, como quando se come um bombom de chocolate.

sábado, 8 de outubro de 2016

Apartidário e apolíticos

É sim possível ser apartidário (meu caso) e também apolítico (o que não é meu caso). Ser apartidário não deixa de ser uma forma de negação da política, embora, como seja no meu caso, não signifique uma negação absoluta da política por razões obvias: a política não se resume às disputas partidárias e ninguém em sã consciência poderia duvidar disso. A grande maioria das pessoas, no entanto, são, sim, apolíticas, porque elas não entendem e não se interessam por política, e isso é um problema e também, às vezes, uma solução. É um problema porque a massa de pessoas apolítica é facilmente manipulada por políticos demagogos e pode vir a ser também uma solução porque entre essa mesma massa de pessoas, quando os abusos do poder excedem um limite tolerável infixado, há a insurreição contra os mesmo demagogos postos por ela no poder. Toda massa é assim: imprevisível, irracional e também uma força avassaladora capaz de definir os rumos da história de qualquer nação. A nossa Constituição, neste sentido, é bastante exata, científica quanto diz em seu parágrafo único do artigo 1º que todo poder emana do povo.

Da tolerância e do respeito

"Tolerância" e "respeito" não são valores em si mesmos. Se você tolera o que não deve ser tolerado bem como se você respeita o que não é digno de respeito nenhum, isso não faz de você um sujeito virtuoso e melhor, muito pelo contrário.

Ser virtuoso e melhor é justamente saber identificar o que é merecedor de respeito e tolerância. Muitas opiniões eu não respeito, mas tolero, porém isso não significa que eu vá tolerar todas as opiniões. Existem opiniões tão nefastas, tão horrendas que tolerá-las é um acinte, uma indignidade, algo talvez tão nefasto e horrendo quanto a própria opinião emitida. É preciso muito bom senso e prudencia para sabe quando se deve reagir e reagir na devida proporção, sem exceder limites. Eu sempre penso nisso e eu sempre soube disso, ainda que, quando mais jovem, não soubesse colocar em palavras exatamente como estou colocando agora, algo que, se bem observado, não é difícil de entender (o senso comum da mídia é complica bastante essa questão). Algumas vezes eu reagir de forma desproporcional à ofensa e me arrependo. Noutra vezes, sequer reagir e também me arrependo. Agir com justiça é dar a cada um o que lhe é devido, nem mais nem menos. A coisa que eu mais abomino são sujeitos pusilânimes. É disso que se trata a Filosofia, é disso que se trata em se ser sábio, embora não só disso.

sábado, 1 de outubro de 2016

Formas e maneiras de amar

A expressão "qualquer forma ou maneira (salvo engano isso foi cravado pelo Caetano Veloso numa canção) de amor vale a pena", é absurda. O amor não é uma jaca, para ter tantas formas e maneiras de ser.

Geralmente isso é dito por pessoas que afirmam lutar contra a discriminação no caso das relações ditas amorosas entre homossexuais (caso do Marcelo Freixo). Mas se existe o amor hétero ou homossexual, definitivamente não há uma diferença formal entre eles, logo não faz sentido a distinção em formas ou maneiras de amar. Sem dúvidas, há uma evidente diferença na manifestação do afeto entre os seres nesses dois casos. Porém, também, como escrevi não faz muito tempo, o amor não se confunde com a expressão romântica, o que é um traço muito característicos do romantismo, a coisa que mais se vê nos filmes, novelas, livros, seriados, músicas etc. etc. etc. O amor romântico é egoísta precisamente por isso, e, precisamente por isso, é também uma negação do próprio amor. O amor, penso, é bem menos complicado; é um identificar-se, como quando Cristo anuncia: ama o teu próximo como a ti mesmo; e, ainda, quando diz: amai-vos uns aos outros como eu vos amei. A medida do amor, portanto, é o Eu, um Eu sem medidas, para parafrasear Santo Agostinho, isto é, um Eu divino, um Eu necessário, não um eu egoísta. Dizia C.S. Lewis que se você tem a atitude correta diante de Deus, inevitavelmente terá a atitude correta diante do próximo. Essa é a régua!

Amar, portanto, é se identificar (porque nós nos identificamos com Deus é que é possível amá-Lo e essa é uma verdade cristã, um diferencial do cristianismo, por exemplo, em relação ao hinduísmo, onde os sujeitos estão lá, amando um deus com cabeça de elefante; o Deus cristão é humanos demais, transborda humanidade e, exatamente por isso, cumprir com o primeiro mandamento da Lei é mais fácil do seria, sem a revelação do evangelho. O Deus dos judeus era impessoal, vingativo e, também os homens, talvez por isso, fossem tão insensíveis, Mc 10:5). Por que, por exemplo, uma das manifestações mais notórias de ódio é o terrorismo? Porque, justamente, é quase sempre uma das manifestações mais notórias de diferenças entre os seres, de distinção, de intolerância. O sujeito que veste um colete de explosivos e se explode é incapaz de se identificar minimamente que seja com as suas vítimas. É assim, de maneira geral, com os assassinos — os assassinos, como dizia Nelson Rodrigues, são anti-homens, se sentem deuses, seres superiores a todos e principalmente às suas vítimas. Por que, também, eu quase sempre acho uma frescura sem tamanho esse negócio de amor pelos animais? O ser humano só consegue amar aqueles animais que mais se identificam e se relacionam com ele. Ninguém ama o porco espinho, ninguém ama o tatu — excerto o tatu bola, porque é engraçado, mas o tatu tradicional, aquele bicho estranho com um nariz e língua soberbos, ninguém ama! Amamos cachorros e gatos porque em nós despertam empatia (empatia significa sentir de forma parecida), mas o mesmo sentir não é possível com toda a animália, esta muitas vezes distante de nós, hostil.