domingo, 12 de novembro de 2017

Leis contra o racismo

Não é o que uma pessoa fala e não é o que uma pessoa pensa que faz dela uma pessoa racista. São suas mais profundas convicções, estas expressas na forma concreta de suas atitudes e no "repertório" das tais convicções, que devem além de tudo se fundar numa lógica discriminatória em função da condição (um dolo específico), de um fenótipo de toda uma parcela do conjunto de homens e mulheres. Condenar alguém a execração pública por dizer DIZER algo racista, como se por DIZER fosse a pessoa racista, é um absurdo em si.

O problema de leis que visam coibir práticas racistas, preconceituosas, é que a lei apenas consegue punir a expressão mais direta e concreta de uma manifestação racista ou preconceituosa, visto ser uma característica própria da norma legal a exterioridade, isto é, só é capaz de punir ação quando exteriorizada, não oferecendo nenhuma forma solução para os problemas quando estes jamais se materializam, existindo apenas num plano inacessível de consciência. Este fato, para mim inquestionável, além de dar margem ao cometimento de terríveis injustiças, compromete definitivamente a EFICÁCIA da lei.

domingo, 22 de outubro de 2017

Imperialismo Chinês

Por um século inteiro a esquerda mundial tomou para cristo os imperialismos inglês, francês e principalmente norte-americano. Foram cem anos de encheção de saco, num discurso que levou o mundo a inúmeros conflitos bélicos internacionais, aqui incluso as duas Guerras Mundiais do século XX. E eu não digo que em grande, grande parte, aquela esquerda que hoje já não existe, não estivesse com a razão.

Agora, neste século XXI, que todo mundo gosta de falar como sendo o século da "pós-modernidade", seja lá o que isso significar, não é estranho que quase ninguém abra a boca para falar do imperialismo chinês, este sem dúvidas muito mais predador da natureza, da economia e das soberanias mundo a fora do que os imperialismos de nações ocidentais do passado jamais foram?

domingo, 8 de outubro de 2017

O Reencontro, 2012

Se a Divina Comédia de Dante Alighieri assim é chamada não por ser exatamente engraçada, mas por acabar bem, dar no Paraíso, O Reencontro, com Morgan Friedman, é uma comédia dantesca. "Ninguém liga pro escritor que ninguém lê", e isso é fato, bem como é também um fato que "ninguém lê o escritor que não escreve".

Se é verdade que Ernest Hemingway desafiava às pessoas a lhe dizer um determinado numero de palavras, para que assim ele pudesse, com tal incrível limitação e mais incrível ainda virtuosismo, compor histórias inteiras, com início meio e fim, é também surpreendente imaginar uma mente que de uma rua vazia, aparentemente monótona, consiga extrair de si uma história maravilhosa, certamente mais maravilhosa do que as histórias que Hemingway compôs com duas ou quatro palavras. A imaginação de uma criança, por mais inquieta, criativa e inteligente que seja, não é de forma alguma equiparável à do autor de "Por quem os sinos dobram", que parece teve vivido um numero de vidas bem maiores do que a soma de todas as suas belas palavras. Isso, por si só, é surpreendente.

Hemingway tinha a ciência de possibilidades de vida que nenhum de seus contemporâneos jamais teve, o que o fez também uma das mentes mais criativas da literatura americana, por consequência. O filme não trata dos livros de Monte Wildhorn, a quem Friedman interpreta com a sua já característica excelência numa cadeira de rodas, mas trata do valor da inspiração, do acreditar na vida, do adiar o suicídio sempre até o verão seguinte, de olhar. Simplesmente olhar, olhar como os olhos de criança um elefante cor de rosa, de se deixar impregnar pela beleza que os cerca e que está sempre presente nos detalhes menos perceptíveis, que são o tempero de uma vida feliz.

Uma comédia, de fato, clássica. Um bom filme.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

As forças políticas dominantes no país?

O Brasil está entre duas forças políticas e tão somente: as esquerdas, estas no geral de caráter eminentemente globalista, visto que praticamente não há mais no Brasil um esquerdismo nacionalista, este que antigamente se identificava, por exemplo, no varguismo, depois passou a se identificar no janguismo e então no brizolismo, ainda que figuras de peso da política nacional atual, como o ex-governador e ministro Ciro Ferreira Gomes se proponham a defender essa velha bandeira que de tão velha fede a mofo. (É público que o partido de Ciro, o PDT, partido também de Leonel Brizola e portanto suposta e unicamente onde o brizolismo se conserva, ainda que em formol, negocia a sua candidatura com o Partido Comunista Chinês, então como haveria de ser nacionalista se sede à força imperialista de apetite mais voraz da atualidade, que é o próprio Imperialismo Chinês?) A segunda força política está nas mãos de uma "elite" (uso as aspas porque o significado de elite que emprego, não é o mesmo que correntemente se vê) política poderosíssima, essencialmente identificada no PMDB, mas de forma alguma somente nele. Trata-se de uma força política essencialmente mercantilista, fisiocrata, coronelista (tem seu centro de poder no nordeste), corrupta, mas corrupta num sentido quase ingênuo, isto é, de não fazerem distinção de nenhuma natureza entre a coisa pública e a privada, pois os caciques se sentem os donos do Estado e em certa medida o são. Essa segunda força política, a mais poderosa e que é a que atualmente nos governa, é também a mais antiga existente em nosso país e tem raízes no período colonial! As esquerdas, que não são uma só!, são ideológicas e nas ideologias tendem a buscar justificativas para tudo, até e principalmente para o que há de pior na prática política. A tal "direita", nem de longe é uma direita liberal, conservadora, nem mesmo fascista, como as esquerdas costumam rotulá-la. É muito mais científico falar de um direitismo ou centrismo fisiocrata.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Ideologias e ação política

O feminismo, o liberalismo, o socialismo, o ecologismo e, na minha percepção, até os próprios modelos democrático-republicanos, são ideologias (sobre este último, ler Hans-Hermann Hoppes: Democracia -- o Deus que falhou). E as ideologias, todas elas, nada dizem sobre os objetos que afirmam (por ex.: raça, liberdade e igualdade, sejam stricto ou lato sensu, bem com a democracia enquanto regime político democrático de direito); na realidade, os objetos que afirmam as ideologias nunca, jamais são os seus objetos de fato. As ideologias servem apenas, tão somente, à manutenção da coesão dos grupos ideológicos, de instrumento de afirmação e, por conseguinte, de identificação de tais grupos e de seus membros.

Isso é o básico, básico! da Ciência Política moderna. Quem, cuja análise parte dos discursos ideológicos, é estúpido (alguém contaminado pelo próprio discurso) ou um ideólogo, isto é, alguém comprometido com os grupos ideológicos e com a disseminação do discurso (um preceptor). A análise política científica parte não das ideologias, mas da análise da experiência política concreta, as ideologias vêm na esteira dessas experiências ou para justificá-las (quando falham) ou para promovê-las (quando a experiencia é bem sucedida, sendo que, mesmo assim, tal promoção não necessariamente precisa ter a ver com os reais motivos do sucesso da experiência e na realidade quase nunca tem).

As ideologias são um instrumentos da ação política, não podem de forma alguma serem confundidas, pelo analista, com a própria ação.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

A definição de Estado

Dizem que um dia, Frédéric Bastiat, o grande autor de A Lei, desafiou a todos, oferecendo um prêmio de 10 mil francos para quem lhe fornecesse uma definição clara e precisa do que seria Estado. Ninguém levou.

É engraçado notar como as pessoas são capazes de depositar tantas esperanças numa coisa que elas nem sabem o que é. Para mim, melhor é a definição de Nietzsche: o Estado é o mais frio de todos os monstros.

A ética em que acredito

Três e unicamente três são as bases de todas as relações humanas: o amor ao próximo (a harmonia de naturezas humanas, um sentido de identificação, de reconhecer no outro a si mesmo), o perdão e a confiança (ou o que convencionou-se chamar por fé). Existe ainda uma relação direta entre tais princípios fundamentais da boa ética, que na verdade é a única ética possível e que nem é só uma ética, mas uma resposta à metaética acerca da natureza do próprio bem: o amor é medida da confiança, mais se confia quanto mais se ama; o perdão é medida do amor, mais se ama quanto mais se dispõe um eu a perdoar. Confiar significa amar, assim como perdoar significa confiar. Não é possível amor sem perdão, nem é possível perdão sem confiança, sem fé. O sistema está fechado e tem por meta, objeto direto a principal das virtudes teologais: a caridade, amar a Deus através do outro.