domingo, 5 de junho de 2016

Política: história, religião, moral e cultura

O que determina a conduta das pessoas em sociedade não é a lei, é a cultura, e, da cultura, surgem-se as leis. Nós temos, então, um problema: de onde surge a cultura? Duas são ou podem ser as fontes: a moral e a religião. A moral, como fonte exclusiva, serve como substitutivo da religião, enquanto que é a religião que deveria servir, fornecer as bases da conduta moral, como foi na maior parte da história humana, em todos os casos (na Antiguidade, por exemplo, alguém não ter religião era meio como ser louco, sem juízo e, pela religião, se julgava os caráteres). Nós vivemos, por exemplo, época de extremo moralismo cultural e um definhamento das bases religiosas da cultura.

Quando esse negócio começou? Eu ainda não sei bem, mas me parece que está na gênese do chamado Estado Moderno, o Estado como grande Leviatã, aquele que produz o homem artificial, o homem que não é mais produto do gênio divino, o homem como uma obra de arte a ser acabada. A origem remonta os fins do século XIV. Maquiavel, por exemplo, ao que me parece, foi o primeiro a perceber algo muito importante: quem controla a moral, controla a política, controla cultura e, certamente até por isso, a Igreja passou a ser a inimiga numero um de todos os governantes desde então. Mas a Igreja não controlava a moral, pois a moral era dada pelas próprias bases cristãs do Ocidente, isto é, pelo Cristianismo propriamente dito e a prova maior disso foi que com a Reforma Protestante, muito dessa base cristã continuou a existir mesmo sem a Igreja Católica. É por isso que em Max Weber é possível se falar de uma ética protestante do capitalismo, que na verdade não é protestante, mas propriamente cristã, que dá origem ao Estado e à economia liberal (A Riqueza das Nações não é a principal obra de Smith, mas, sim, A Teoria dos Sentimentos Morais). A pré-história do liberalismo econômico, com todos os seus méritos, pode ser facilmente rastreada em autores cristãos, escolásticos e, mais precisamente, da Escola de Salamanca, no chamado "Seculo de Ouro Espanhol", com autores como o padre jesuíta Juan de Mariana.

Desde a Renascença, a Igreja Católica não mais perdeu o posto de bode expiatório de todos os males da humanidade, passando a existir, para alguns, apenas como um posto de resistência ao moralismo modernista em todas as suas vertentes, cujo mais atual é o chamado politicamente correto.

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