domingo, 10 de abril de 2016

O conceito de liberdade

No Fantástico, um repórter pergunta nas ruas o que as pessoas pensam ser a "liberdade". As respostas? Bem, ninguém deu nenhuma resposta! As pessoas dizem o que supostamente podemos fazer com a liberdade: viajar, ir e vir, pensar etc. etc., mas O QUE É liberdade ninguém é capaz de dizer.

Esse é um problema filosófico sério! A utilidade de uma coisa, como a da liberdade, não compreende a essência, a definição, o conceito. É justo o contrário! A definição, o conceito é que compreende a finalidade e, inclusive, o além. O mesmo vale para qualquer outra coisa. A religião, por exemplo, o que é religião? O mestre Miguel Reale tem uma frase que eu gosto muitíssimo: "Na arvore do conhecimento, os conceitos se equivalem aos frutos maduros". Eu tenho uma definição de liberdade! Liberdade é a ausência de necessidade ou, melhor dizendo, a contingencia de ser. O ser humano, por tanto, é livre para tudo que a NECESSIDADE não lhe impõe. Necessidades fisiológicas, por exemplo, tolhem a liberdade dos indivíduos. A própria estrutura da realidade cerceia a liberdade em inumeráveis casos. Por exemplo: eu não sou "livre" para pular da janela do apartamento em que moro (que a propósito se situa no 8º andar). Nem "livre" para tomar de canudinhos um frasco de veneno. Liberdade ilimitada, portanto, não apenas é uma estupidez, mas uma impossibilidade, pela própria contingência de ser.

Muitos diriam que eu sou sim livre para me matar, tomando o frasco de veneno ou pulando da janela. Mas que raio de liberdade seria essa que vai contra a necessidade mais elementar dos seres que é a de se manterem vivos? Muitos podem ainda dizer que o meu conceito é, portanto, insuficiente. Ok, pois que apresente outra definição capaz de apreender todo o fenômeno concreto do ser de ser livre. Se matar é uma negação da liberdade, pois manter-se vivo é necessário ao ser humano inclusive para que este possa vivenciar a liberdade. Mas não seria possível abdicar da liberdade? Bem, para isso supõe-se a liberdade e, mais ainda, supõe-se a empresa consciente de um indivíduo livre e que este indivíduo decida, pois em caso contrário, teríamos ai uma boa justificativa para a escravidão, a dominação do homem pelo homem, por exemplo, não é? É muito perigoso esse pensamento! Não significa, toda via, que não possa ser verdadeiro. Será que um homem não poderia, por exemplo, sujeitar-se à morte, como por uma pessoa amada? Sim, mas por que faria? A resposta é uma só: por necessidade, não por nenhuma outra razão. A morte também pode ser necessária em alguns casos, como aliás é no maior de todos os casos: a vida.

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