sexta-feira, 22 de abril de 2016

Impressões sobre a filosofia de José Ortega y Gasset

Estou lendo José Ortega y Gasset, o grande filósofo espanhol do século XX. O impacto que ele me causa é grande, estou realmente muito impressionado, principalmente com os conceitos da filosofia do autor, como o perspectivismo, a razão vital, a ideia da história como um sistema. Não vejo a hora de empregar seus conceitos à análise de conjunturas sociais e políticas das mais diversas.

Diz o Ortega que o homem não tem natureza, tem história. Isso significa que aquela perene questão filosófica sobre a natureza humana não faz tanto sentido ao final de contas. A pegunta "que sou?" se depreende dos fatos narrados sistematicamente sobre a própria história de vida, e a verdade, na vida, consiste em manter-se fiel à própria história, ao próprio ponto de vista, a perspectiva absolutamente única e unicamente (!) verdadeira com que a encaramos. A liberdade do homem se justifica, por exemplo, pelo fato de que carece o homem de identidade constitutiva, por ser, ser inconcluso. Para Deus, um ser perfeito, a liberdade seria algo absolutamente inútil, despropositada, pois Deus nada precisa escolher, nada precisa ser. Deus é aquele que é, enquanto o homem, imperfeito, que arrasta pela vida os sinais de seu fracasso e de sua miséria, ainda busca o ser que parece sempre inatingível, como no rio da vida de que falava Heráclito.

A critica de Ortega aos utopistas é muito contundente. Ele diz que a única perspectiva falsa é a que se pretende única e que a perspectiva do utopista não é sequer uma perspectiva, pois esta pressupõe estar-se a observar numa certa localização espacial, presente também no tempo. Erra o utopista porque o seu credo não se situa, nem no passado, nem no futuro, sendo essa a razão de sempre incorrerem em trágicos erros, por não se manterem fieis ao seu ponto vista.

Ortega é um magnânimo pensador!

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