quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Sobre o conceito de cultura e o relativismo cultural

Sabem por que asiáticos são melhores estudantes, em média, do que outros povos? (Em especial os japoneses.) Cultura. Não cultura no sentido em que nós por estas bandas estamos acostumados a ouvir falar (em especial por aqueles que dizem, entre outras coisas, que "funk", por exemplo, é cultura). A alimentação dos japoneses, baseada no cultivo de arroz, por exemplo, cujo trato demanda imensa disciplina, comprometimento, paciência, dedicação etc. etc. Cultura vem de cultivar. Como se "cultiva" o funk, o rap, o samba, o grafite ou sei lá mais o quê, formas diversas de expressão que na melhor das hipóteses podem no máximo serem boas maneiras de se expressar e na maioria das vezes nem mesmo isso? De que maneira, positivamente, tais expressões influiriam positivamente na construção, no cultivo de homens, indivíduos e, consequentemente, uma sociedade melhor? Em 99,99% das vezes em que se fala de cultura por aqui, ninguém parece saber ao certo do que se está a falar. Cultura é sinônimo de bobagem e os "homens cultos" são todos uns paspalhos.

Cultura também deriva de culto, já que citamos os "homens cultos". O problema é que cultuar alguma coisa exige, antes, um senso de importância bastante elevado. Deus, por exemplo, é digno de culto, no sentido que determina o primeiro mandamento da Lei: o de amá-lO acima de todas as coisas. O culto a Deus, para aquele que nEle crê, é claro!, é o mais importante. Porem outras coisas também são dignas de culto, mas, para bem cultuá-las, é preciso um sentido de hierarquia (como cultivar belas flores entre ervas daninhas?). Eu não posso prestar culto ao samba da mesma forma que presto culto à música clássica. Se eu não tenho o sentido de que o melhor dos sambas ainda é pior que a 9ª Sinfonia de Beethoven, é sinal de que a coisa vai muito mal. Essa falta de sentido é que acaba com tudo. Por isso o homem culto é um paspalho, não por ser culto, é claro!, mas por cultuar uma série de coisas e expressões das mais baixas e muitas vezes até vis. Em suma: uma cultura de merda!

(O grande problema da cultura, penso eu, é também parte do problema da virtude na modernidade. Escrevi sobre esse problema no post anterior.)

Outro empecilho à boa cultura é o relativismo estético e moral. Se cultuar exige um senso de hierarquia, é necessário haver valores objetivos a se determinar para que possamos seguir em frente ou, no caldeirão da mediocridade, tudo tende a se nivelar por baixo. O relativismo cultural elimina todas as expectativas de um futuro grandioso, abortando a capacidade criativa do espírito, pois esta sequer tem a chance de se desenvolver. Nossa única esperança é a de nos envolver em misérias sem fim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário