terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

A questão da virtude na Filosofia Moderna

Eu acho a Filosofia Moderna completamente maluca pelo simples fato de ter passado praticamente batida sobre a questão da virtude, que é, para mim, de longe a mais importante de todas. Falar de ética, por exemplo, sem falar de virtude ou de política, estética, teoria do conhecimento etc., sem um foco direto na questão da virtude, é, para mim, completa perca de tempo. Eu tenho até pouco interesse em filósofos modernos. Por que ler Jean-Paul Sartre se eu posso ler Platão e Aristóteles???

Aristóteles começa assim sua Ética: "Toda arte e toda investigação, bem como toda ação e toda escolha, visam a um bem qualquer; e por isso foi dito, não sem razão, que o bem é aquilo a que todas as coisas tendem."

Não é absolutamente óbvio, será que não está, sem nenhuma sobra de dúvidas, subentendido na primeira frase (!) que, para o Filósofo, antes das artes e das investigações, das ações e das escolhas, importa muito mais a questão do bem? Ou é isso ou eu não sei ler! Aliás, não há o que discutir, o primeiro livro da Ética a Nicômaco tratará apenas dessa questão e somente a partir do segundo livro é que o Estagirita irá se debruçar sobre questão da natureza dos atos.

Quando Descartes, o fundador da filosofia moderna, diz, por exemplo, "penso, logo existo", o eu, isto é, o eu que pensa, pois eu penso, permanece inalterado ao fim da sentença, é um clássico non sequitur. Se EU penso e se por EU pensar EU existo, então a conclusão não segue à premissa pelo fato de que o EU já estava subentendido desde o começo, isto é: o Eu pensa! Onde foi parar a tal da "dúvida metódica" de René Descartes principalmente nessa questão do Eu? O edifício filosófico em que se assenta sua filosofia se esvai, some como fumaça no ar!

Antes do pensar, interessa o Eu, pois é o Eu quem pensa, como ele mesmo afirma. E, para esse problema, pelo que conheço da filosofia de Descartes, ele incrivelmente não apresenta nenhuma solução! Que diabos se passa com os filósofos modernos? Não faço ideia. Como uma mente tão genial como a de Descartes pôde ter deixado passar um problema tão, tão tolo e evidente que salta aos olhos do observador atento? Podem me chamar de arcaico, se quiserem, eu apenas me interesso em estar certo e acho que estou. Na realidade, o que digo não foi primeiramente notado por mim, mas outros muito maiores do que eu.

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