quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Reflexão sobre o marxismo e sua critica à religião

A crítica de Karl Marx à religião de que tantos falam, não é bem uma crítica à religião (ainda que se diga que ele pretendeu que fosse), mas a uma certa forma de religiosidade que, considerando bem, talvez até encontre ecos na realidade. O ópio do povo, o suspiro da criatura oprimida etc. T.S. Eliot diz, num dos seus poemas, que a raça humana não pode suportar muita realidade. A religião, em certas formas, viria, assim, servir como mecanismo de compensação às dores e misérias do mundo, como uma espécie de analgésico para algumas almas dilaceradas. O que é preciso que se diga é que, fazer da crítica a essa forma de religiosidade que, como eu mesmo disse, pode até existir, uma crítica à religião, é, sem dúvida nenhuma, um sofisma. Se essa religião for o cristianismo então, é ainda muito pior. Cristo jamais prometeu recompensas ou alívios para esta vida, muito pelo contrário, garantiu que a dor e o sofrimento seriam inevitáveis e que nós nada poderíamos fazer para contê-los, nos pedindo apenas para consolarmos uns aos outros, naquilo que o mundo viria a chamar de caridade. Os mártires cristãos do primeiro século, sofreram os piores tormentos e se alegraram com a simples expectativa de estarem na presença de Deus. A recompensa, o evangelho, promete a eternidade, a absoluta esperança, algo pelo que esperar e onde, parafraseando Santo Agostinho, nossos corações inquietos encontrariam o esperado repouso.

É certo que isso nos ajuda a lidar melhor com a dor e o sofrimento, mas fazemos isso cientes de que ninguém sofreu ou que jamais sofrerá mais do que o Nosso Senhor já sofreu e ainda sofre por todos nós.

O cristão clama pela morte como clama pela face do próprio Deus, espera com alegria o momento final. A dor e o sofrimento nos fortalece, nos purifica como o fogo purifica o metal. Somos aquilo que os soldados de Júlio César apenas afirmavam ser. Somos imbatíveis porque o nosso simbolo é uma cruz.

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