domingo, 11 de setembro de 2016

Cristianismo e Islamismo: religião pública e religião privada

Não sou um especialista em Islã, mas pelos meus estudos, consigo identificar claramente uma diferença entre o islã e o cristianismo que não me parece ser muito notada por todos que eu conheço: o cristianismo é uma religião privada, ao passo em que o islamismo é uma religião pública. Jesus já dizia para nós nos fecharmos em nossos quartos para rezar e condenava as preces públicas e histriônicas dos fariseus. O cristianismo surge num momento histórico de centralização do poder político por parte da "Grande Babilônia", a "Prostituta", o Império Romano, num período de submissão do povo hebreu; já o maometismo, muito pelo contrário, surge num momento histórico de praticamente anarquia entre os povos árabes, o que induziu, dado ao próprio grau de complexidade daquelas sociedades, à necessidade social mesma de uma organização político-administrativa centralizadora. É por isso que o Islã não pode, como dizia o Aiatolá Khomeini, se desvincular de um projeto político e, mais ainda, um projeto político centralizador. A religião romana também era uma religião de Estado e centralizadora, era "a grande cidade, aquela que reina sobre os reis da terra", era o culto pessoal do Imperador e Jesus pregou claramente a distinção entre essas duas coisas, entre as coisas de Cesar e as coisas de Deus. Para o muçulmano, essa distinção simplesmente não faz sentido algum, porque para o muçulmano Jesus apenas se insere numa longa tradição de profetas que irá encerrar-se com o nascimento de Maomé ou Moḥammed em Meca (a "Mãe de todos os assentamentos"), em 25 de abril de 571 da nossa Era. Entender isso me parece imprescindível para saber o que podemos esperar do futuro.

Quando um muçulmano morre em nome de Allah, ele está dando um testemunho público de fé com a certeza de que será recompensado por Deus no paraíso. Já o cristão não poderia ter essa mesma certeza porque a religião cristã se importa menos com o que fazem os cristãos publicamente. A absorvição do pecados, por exemplo, dada por um padre no ato da confissão, é uma GRAÇA DIVINA que SÓ pode ser alcançada pelo arrependimento sincero do fiel devoto, uma graça portanto de natureza puramente subjetiva, intima, interior. Tanto que não importa a vida que levou o cristão se nos últimos segundos ele se arrepender de tudo que fez. Não existe pecado que a Igreja não possa dar a absorvição. 

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