Quem faz da busca por um argumento, seja para comprovar ou refutar o que quer seja, está mais interessado no desenvolvimento dos artifícios persuasivos do que na real abrangência dos fatos e/ou entes. Não que um bom preparo retórico não possa e até não deva ser desejado, mas é sempre prudente desconfiar daqueles que vivem munidos de argumentos para convencer aos outros de determinados pontos de vista, ideias ou opiniões.
No fim das contas, entender as coisas já é algo que requer um esforço tremendo, imaginem explicá-las e comprová-las!
Me espanta ver a quantidade de gente que opina e se mete a explicar, comprovar ou refutar as questão filosóficas, teológicas e científicas mais intrigadas que se possa imagina. Por exemplo: todo mundo sempre me parece muito convicto da existência ou não existência de Deus. Falemos francamente: é difícil acreditar que tantas pessoas assim possam ser tão santas ou tão céticas. Eu acharia perfeitamente normal e até natural que as pessoas levassem a vida inteira, se realmente estivessem interessadas, tentando solucionar um problema desses.
Uma boa dose de ceticismo, por exemplo, de dúvida, afligiu alguns dos mais extraordinários santos (são as chamadas "noites escuras da alma").
Às vezes eu me pego pensando na quantidade de coisas que um Santo Tomás ou um Aristóteles compreendiam, mas que não foram capazes de ensina, explicar e comprovar. Os meios de expressão foram, na realidade, uma tremenda impossibilidade para os dois. Santo Tomás talvez pudesse ver o próprio céu ou o inferno ao fechar os olhos.
Eu nunca fui ateu, pois eu tinha um problema muito mais urgente do que comprovar ou não a existência de Deus. Eu precisava, antes, compreender ainda que muito pouco a essência de Deus. Não fazia nenhum sentido, como não faz para mim até hoje, me perguntar se uma coisa ou alguém que eu não fazia a mais mínima ideia de quem ou do que fosse, existia ou não. Só se pergunta o que antes se pressupõe e são esses pressupostos que, quase sempre, impossibilitam o debate público.
É impossível que um cristão atento leia Deus, um delírio, do Richard Dawkins, e não se pergunte do que diabos trata o autor da obra. Quem é Deus para o sr. Dawkins?
Richard Dawkin é um ateu chato que propagandeia pelos quatro cantos as suas razões para não acreditar em deus. Querem saber? Richard Dawkin tem razão. O deus de que ele trata em seu livro não tem nenhuma chance de existir.
A religião para Richard Dawkins é um vírus, algo nocivo para a humanidade. Eu consigo ler Richard Dawkins e gostaria muito de pedir a ele algumas explicações, mas quando eu o leio, eu nunca penso em termo de "concordo" ou "não concordo". O que eu quero saber é o que, Deus do céu!, esse cara entende por ser uma religião. E quando eu vejo que o conceito, que a ideia que ele faz de uma religião é tão boboca, mas tão boboca, coisa mesmo de um débil mental!, inevitavelmente sou obrigado a entender o que ele está dizendo e o porquê dele dizer o que diz.
Vejam, eu aprendi isto com Chesterton: uma moeda ou a cabeça de um alfinete é tão redonda quanto os anéis de saturno ou as rodas de um trator. O que os diferencia é tão somente os diâmetros. Assim também pode ser o pensamento! Ele pode ser perfeitamente circular, correto, conciso, coeso, sucinto, porém, pouco abrangente. O fator principal de classificação de um pensamento é a sua abrangência, a sua capacidade de considerar todas as coisas, sendo que quanto mais abrangente é um pensamento, mais complicado é colocá-lo em termos de palavras, de expressá-lo seja de que modo for.
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